TUA VINHARIA
 
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Vinhos de Toro na Tua Vinharia, claro!

Quando abrimos a Tua Vinharia optamos por ter apenas vinho português, primeiro, porque não falta bom vinho em Portugal e depois como queremos vender o que gostamos, temos de vender o que conhecemos. Passados três anos, temos vinhos espanhóis, porque depois de ir a Toro, uma terra de bom vinho e boa gente, é impossível não querer tê-los cá. 

Os primeiros vinhos que provámos em Toro foram os do Kiko Calvo, que diz, no site, que é um bigardo – na gíria de Toro significa alguém corpulento, desengonçado, com ar de pessoa rebelde e desobediente. Diz que quis homenagear a cidade Natal dando este nome à sua adega. A irmã, a Noélia, diz que o Kiko ‘’es una persona muy maniática’’. Nós dizemos que, além de fazer uns belíssimos vinhos, é uma pessoa divertida e extremamente apaixonada pelo que faz. E, sim, tem ar de quem não gosta muito de obedecer só porque sim.

Depois de correr meio mundo, talvez até o mundo inteiro, a fazer vindimas e a aprender tudo o que conseguisse sobre vinho, regressou a Toro para ‘’roubar’’ algumas uvas ao pai e pôr em prática aquilo que sabia.

Em pouco tempo passou de fazer algumas garrafas com as uvas que o pai deixava de vender, para começar a fazer vinho com as uvas das vinhas da família e dos vizinhos. ‘’Aqui em Toro toda a gente tem uma pequena vinha, algumas pessoas não se importam que usemos as uvas delas, em troca de verem a sua vinha tratada’’, explicou Noélia, rotuladora de garrafas, responsável pelas visitas à adega e psicóloga do irmão.

O primeiro vinho foi o Bigardo, ‘’um vinho de verdade, lógico e rebelde’’, resultado de várias experiências. Durante algumas vindimas, o pai foi deixando uvas para os filhos engarrafarem os seus vinhos, mas sempre com alguma desconfiança. ‘’O nosso pai diz que sempre confiou em nós, mas eu sei que não confiava nada’’, confidencia Noélia.

Neste momento, saem quatro vinhos da adega familiar (talvez a única no mundo com uma bateria): Bigardo, um vinho rebelde, porque não tem nada a ver com os vinhos de Toro; Satélite, um vinho que convida a viajar; Maldito Parné, um vinho inspirado na avó materna ‘’La Seña Angelita’’, que é a dona da mão usada no contra-rótulo, e o Pellejo, um vinho de parcela.

Todos os vinhos são 100% feitos à mão. O tipo de vinhas (já lá vamos) obriga a que a vindima seja feita sem máquinas, a prensa manual ainda é a mesma que o pai usava para fazer o vinho de casa, a batonnage, em todos os recipientes de 1000 Kg, é feita manualmente, pois claro, e a gravidade é usada em todos os processos, desde a entrada da uva, à vinificação e ao engarrafamento. À excepção de uma empilhadora, comprada há pouco tempo, aqui não há máquinas, nem motores. Só a força dos braços.

 

Comendo uvas em Toro

Como as vinhas de Toro têm de enfrentar temperaturas extremas, que vão desde graus negativos no Inverno, até aos 40 graus no Verão, e as raízes precisam de ir buscar água a grande profundidade, são vinhas com características muito particulares. São bastante rasteiras (‘’pequeninas’’) e afastadas entre si para não guerrearem pela água.

Por isso, é natural que o vinho de Toro também tenha as suas particularidades, como os de qualquer outra região. A grande diferença, talvez, é a praga da filoxera não ter chegado aqui, por isso existem muitas vinhas velhas, com mais de cem anos. Por isso, passear pelo meio da vinha, e comer as Tinta de Toro que não foram colhidas, é uma experiência e tanto.

O Bigardo, o primeiro vinho de Kiko, é assumidamente experimental. O resultado é um vinho mais fresco e leve do que a maior parte dos vinhos de Toro, que são sobretudo tintos. ‘’Felizmente, há cada vez mais gente nova a fazer vinho em Toro e isso é muito bom’’, explica Noélia acrescentando que quando estavam a pensar expandir o negócio veio a pandemia. Têm sido desafios atrás de desafios, mas a bateria ajuda Kiko a lidar com o stress.

Nesta região há poucas vinhas de uvas brancas, porque não se conseguem fazer grandes vinhos com elas, ainda. Quando perguntamos ao Kiko se alguma vez pensou fazer um vinho branco respondeu que tem 1500 litros na adega, da colheita 2022. ‘’Vamos ver como evolui’’, disse. ‘’Já fiz algumas experiências mas não gostei muito. Aqui em Toro há malvasia velha muito boa, grandes moscatéis e algum verdelho, o problema é a acidez…’’ Bom, daqui a três anos saberemos como correu esta experiência. Será desta? Aceitam-se apostas. 

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